sexta-feira, 18 de novembro de 2022

ESCRIT@TOP.COM - DIÁRIOS DE GUERRA IV


DIÁRIO DE GUERRA

Dia 8 de maio de 1916

Hoje encontro-me no abrigo do comando a dar apoio aos feridos no ataque da artilharia inimiga. As condições são terríveis. Faltam alimentos, há muita humidade e frio, as ratazanas andam por todo o lado e temos uma grande praga de piolhos. Lá em cima, continuam os ataques fulminantes com metralhadoras, tanques e gases tóxicos. Apesar do nosso esforço, devido aos poucos recursos, os feridos não estão a resistir. Temos muitos mortos, mas, com os constantes ataques, não estamos a conseguir retirá-los do abrigo, o que torna o cheiro insuportável.

Dia 10 de maio de 1916

Hoje as condições não melhoraram. Pelo contrário, continuam a agravar-se. No entanto, devido à diminuição de ataques no dia de ontem, conseguiram ser retirados alguns cadáveres e recebemos alguns alimentos e medicamentos para o tratamento dos soldados feridos. Estou muito cansada, mas não posso parar porque todos somos poucos.


Dia 14 de setembro de 1916

Os nossos soldados não estão bem preparados para enfrentar o inimigo. Por isso, o número de feridos é enorme. Ouvi uma conversa entre os soldados que diziam que estão a pensar enviá-los para França para receberem formação nas novas técnicas da guerra, como assaltos a partir das trincheiras, captura de prisioneiros, ataques de artilharia, gases de combate.

Hoje, e cada vez mais, sinto uma enorme saudade da minha casa e da minha família. Sinto falta de um banho quente, de uma comida quente, de dormir descansada numa cama limpa e confortável. Não sei por quanto mais tempo conseguirei suportar esta situação. Há vinte dias que não vejo a luz do sol. Sinto que estou a ficar doida.

                                                                                               Maria Nunes, 9.º B, n.º 17.

Nota: Este trabalho foi produzido para a disciplina de História, no âmbito do estudo da I Guerra Mundial.

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