segunda-feira, 10 de junho de 2024

500 ANOS DE CAMÕES

Assinala-se hoje, 10 de junho, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, num ano particularmente significativo, já que se celebram os 500 anos do nascimento do poeta.

Aproveitamos a data para recordar algumas publicações deste blogue em que homenageámos Camões, um dos maiores poetas de todos os tempos.

Para aceder a essas publicações, clique sobre as imagens que se seguem.


quinta-feira, 6 de junho de 2024

LEITURAS E TEATRO 2023: «UM PUNHADO DE SAL, UMA VIAGEM REAL»

O encontro com a rainha D. Maria Pia de Saboia, esposa do rei D. Luís I, estava marcado havia muito tempo e, naquele dia 28 de maio, esperava-nos, pontualíssima e deslumbrante no seu magnífico vestido do século XIX. Com um curioso sotaque italiano, foi-nos revelando a história do Palácio e da sua família, enquanto nos conduzia pelas majestosas e sumptuosas salas.
Os olhares perdiam-se na complexidade da decoração e os espaços sucediam-se, dividindo opiniões e pareceres.
O baile final, junto à Sala do Trono, foi irrepreensível e todos nós tivemos a oportunidade de «dar um pezinho de dança», devidamente orientados pela bela Rainha.
 

E os ambientes reais não ficaram por aqui, já que, a seguir ao almoço, partimos para o teatro, lá para os lados de Alvalade, para assistir à representação da peça Leandro, Rei da Herília, pela companhia Instantes D'Aplausos.

Familiarizados com o texto (que haviam estudado nas aulas de Português), os alunos puderam acompanhar, com atenção e sentido crítico, toda a representação e não deixaram de reconhecer o excelente trabalho dos atores, do encenador, do figurinista, do cenógrafo, do sonoplasta e dos demais intervenientes na montagem deste espetáculo.

FOLHETO DA VISITA



quarta-feira, 5 de junho de 2024

CONVITE - FINAL DO CONCURSO «PARES DA LEITURA»

 A Biblioteca Escolar convida a comunidade educativa para a grande Final do Concurso «Pares da Leitura», que terá lugar no dia 12 de junho, a partir das 20h30, na Junta de Freguesia de Monchique.

sexta-feira, 24 de maio de 2024

+ CIÊNCIA ON - QUESTÃO 34

 NOTAS PRÉVIAS

Sabias que as penas das aves desempenham funções variadíssimas?

O revestimento das aves é pele com penas que se formam a partir da sua epiderme.

A cor e o tamanho das penas é muito variável nas aves.

As penas das aves desempenham uma série de funções vitais que contribuem para a sua sobrevivência e sucesso no ambiente em que vivem: ajudam no voo, no isolamento térmico (mantêm uma temperatura corporal estável), no isolamento do ar e da água, na camuflagem e na atração sexual.

QUESTÃO



PRESTA ATENÇÃO 

Faz uma pesquisa sobre o assunto, de acordo com as indicações que o teu professor te transmitiu.

Responde à questão no formulário que te disponibilizamos. Para isso, clica aqui.


quarta-feira, 22 de maio de 2024

PROBLEMATIK 35 - OS FILHOS DO CASAL MARTINS

MAIO é o mês da família, tema em que se baseou o  PROBLEMATIK deste mês e que convidamos os nossos alunos a realizar com a colaboração da família.

Exige alguma capacidade de concentração e um bom raciocínio, mas, bem vistas as coisas, até é relativamente FÁCIL!

Vamos a isso?
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O casal Martins tem vários filhos. Cada filha tem o mesmo número de irmãos e irmãs, e cada filho tem duas vezes mais irmãs do que irmãos. 

Quantos filhos e filhas existem na família?

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Achas que chegaste à resposta correta? Queres confirmar? 

Preenche, então, o formulário que te disponibilizamos aqui.

 

segunda-feira, 20 de maio de 2024

SELO CURIOSO 33 - HISTÓRIA (D. DINIS)

  

O selo que hoje se publica é mais um exemplar da coleção à guarda da Biblioteca Escolar, desta feita um selo de D. Dinis, que, segundo Kullberg, faz parte da emissão «Reis de Portugal da 1.ª dinastia», tendo circulado de 17 de março de 1955 a 1 de novembro de 1958. O desenho é de António Lino, com gravura de Robert Godbehar Bradburey Wilkinson & C.ª de Londres. 

Este exemplar leva-nos a recordar um pouco da História de Portugal. 

O rei D. Dinis, filho do rei D. Afonso III e de D. Beatriz de Castela, subiu ao trono de Portugal em 1279 e reinou durante 46 anos. Casou com D. Isabel de Aragão, a Rainha Santa, e juntos tiveram dois filhos: D. Constança e D. Afonso, o herdeiro da coroa. Além disso, foi pai de mais seis filhos bastardos.
Quando D. Dinis herdou o trono, a reconquista do território já estava concluída. Vivia-se um período de maior estabilidade, mas só em 1297, com a assinatura do Tratado de Alcanizes, é que ficaram definidas as fronteiras de Portugal.
Foi uma época de centralização do poder real, em que a coroa estava em divergência com o clero por ter usurpado propriedades do rei. D. Dinis recorreu, várias vezes, a Inquirições para recuperar essas terras ou retirar privilégios que limitassem a autoridade do rei. 
D. Dinis foi um administrador hábil. Promoveu o desenvolvimento da economia, dando impulso à agricultura, através de medidas que contribuíram para o seu desenvolvimento e para o melhor aproveitamento das terras. Mandou enxugar terrenos alagadiços e plantar arvoredo, nomeadamente pinheiros mansos, criando o famoso Pinhal de Leiria. Por ter tomado medidas de incentivo e apoio à agricultura, foi-lhe atribuído o cognome «O Lavrador»
Também incrementou o comércio interno, desenvolvendo as feiras e criando feiras francas (isentas do pagamento de impostos).  No comércio externo, promoveu as exportações de produtos agrícolas, sal e peixe salgado, em troca de minerais e tecidos. Fez tratados de comércio com Inglaterra. Protegeu também a atividade pesqueira, instituiu a marinha e promoveu a atividade mineira, com a exploração das minas de prata, ferro, estanho e enxofre. Percorreu cidades e vilas, reparou e fundou burgos e castelos.
Foi, ainda, um grande impulsionador da cultura, ordenou que os documentos oficiais passassem a ser escritos em língua portuguesa, em substituição do latim. No seu reinado, o pergaminho foi substituído pelo papel. 
Em 1286, iniciou-se o ensino da Teologia em Portugal. Em 1290, fundou a primeira Universidade em Lisboa, os Estudos Gerais, onde se lecionava as disciplinas de Direito Civil, Canónico e Medicina. Também mandou traduzir obras de História e de Direito.
D. Dinis amava a música, as artes e foi poeta, escreveu Cantigas de Amigo e Cantigas de Amor.  A sua corte foi, naquele tempo, um dos centros culturais mais destacados da Europa.


Referências:

Infopédia. D. Dinis. Retirado de https://www.infopedia.pt/artigos/$d.-dinis.
Kullberg, C. (2006). Selos de Portugal, Album III, (1954/1970). Retirado de https://www.fep.up.pt/docentes/cpimenta/lazer/html/ebook/bfd006_p.pdf

O Portal da História. (2015). Reis, Rainhas e Presidentes de Portugal - D. Dinis. Retirado de https://www.arqnet.pt/portal/portugal/temashistoria/dinis.html

RTP Ensina. (2003). A política de alianças de D. Dinis. Retirado de https://ensina.rtp.pt/artigo/d-dinis-1261-1325/

Serrão, J. (Dir.). (1971). Dicionário de História de Portugal. (Vol. I, pp.815-816). Lisboa: Iniciativas Editoriais.

Trabalho produzido pela Professora Conceição Windle.


terça-feira, 14 de maio de 2024

«MOMENTOS DE LEITURA» 2024: QUE FINAL INESQUECÍVEL!

O pequeno auditório do TEMPO (Teatro Municipal de Portimão) encheu totalmente, no passado dia 11 de maio, para acolher a final da 12.ª edição do Concurso «Momentos de Leitura», uma iniciativa das bibliotecas escolares e públicas dos concelhos de Portimão e Monchique, que visa promover a leitura em voz alta e estimular o gosto pela poesia.

Dedicada à poesia de intervenção, no âmbito do cinquentenário da Revolução dos Cravos, a edição do corrente ano proporcionou momentos ímpares de cumplicidade entre leitores e assistência, que se sentiram tanto nos silêncios emotivos que acompanharam a leitura de cada poema, quanto nos aplausos efusivos que se seguiram às prestações dos jovens leitores. Afinal, estavam ali, reunidos, os melhores leitores de cada ciclo de todos os agrupamentos de escolas dos concelhos de Portimão e Monchique. E não houve nem boas nem más leituras. Houve, sim, e apenas, leituras extraordinárias!

As nossas finalistas, as nossas três meninas, representaram o Agrupamento de Escolas de Monchique de forma exemplar, oferecendo-nos três fantásticas leituras dos poemas «25 de Abril», de Luísa Ducla Soares, «As Mãos», de Manuel Alegre, e «Letra para um Hino», também de Manuel Alegre, e arrecadaram dois dos prémios a concurso: a Gabriela Susana Marques, do 4.º ano da Escola EB1 n.º 1, classificou-se em 1.º lugar na categoria do 1.º ciclo; a Anita Martins Pereira, do 6.º A, obteve o 2.º lugar na categoria do 2.º ciclo.

A nossa representante do 1.º ciclo
Gabriela Susana Marques, 4.º ano, Escola EB1 n.º 1
A nossa representante do 2.º ciclo
Anita Pereira, 6.º A, Escola Básica Manuel do Nascimento
A nossa representante do 3.º ciclo
Margarida Lima António, 7.º A, Escola Básica Manuel do Nascimento

A biblioteca escolar agradece às três meninas pelo entusiasmo, pela responsabilidade (enorme e notória responsabilidade) e pelo empenho que dedicaram a este desafio e por representarem tão bem o nosso agrupamento de escolas.

Parabéns, meninas!

E, claro, parabéns a todos os meninos e meninas que, não tendo chegado à final, tiveram a vontade e a coragem de participar neste concurso.

De Monchique vai também um agradecimento especial à equipa da Biblioteca Municipal de Portimão pela organização irrepreensível do evento.


GALERIA DE FOTOS:

Vista geral da assistência

Entrega de prémios

As finalistas com elementos da equipa da BE

domingo, 5 de maio de 2024

DIA MUNIAL DA LÍNGUA PORTUGUESA 2024

Imagem retirada de: https://www.rbe.mec.pt/np4/%7B$clientServletPath%7D/?newsId=818&fileName=infografico_2024.pdf
 
Assinala-se hoje, dia 5 de maio, o DIA MUNDIAL DA LÍNGUA PORTUGUESA, uma data instituída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) a 25 de novembro de 2019 e que foi comemorada pela primeira vez em 2020.

Desde então, o Agrupamento de Escolas de Monchique tem-se associado às comemorações desta data, estabelecendo contactos com alunos de escolas de diferentes partes do mundo onde se fala ou ensina a língua portuguesa, com o propósito de afirmar a nossa língua, a quarta língua materna mais falada no mundo, como plataforma global de entendimento.

No corrente ano letivo, a troca de correspondência fez-se (e ainda está em curso) entre a turma A do 7.º ano (e alguns alunos da turma C), sob a orientação da professora Carla Monteiro, e alunos da turma de Português 3 da Milford High School, nos Estados Unidos da Améria, sob a orientação da professora Vânia Magalhães.

A este propósito convidamos os nossos leitores a ouvirem poemas de autores portugueses na voz de três alunos dessa escola americana, revisitando algumas das páginas do nosso blogue. Para isso, basta clicar sobre o título do poema no Genially que se segue.

sábado, 4 de maio de 2024

CONCURSO «MOMENTOS DE LEITURA 2024»: FINALISTAS SELECIONADOS


Já foram selecionados os três alunos que representarão o Agrupamento de Escolas de Monchique na final do Concurso «Momentos de Leitura», que terá lugar no dia 11 de maio, a partir das 9h30, no pequeno auditório do TEMPO (Teatro Municipal de Portimão).

Não foi uma seleção nada fácil para o júri, particularmente no escalão do 2.º ciclo. No entanto, depois de ponderados todos os critérios em avaliação e debatidas as opiniões das várias juradas, apuraram-se os seguintes finalistas:

1.º CICLO
Gabriela Susana Marques - 4.º ano, turma D1, Escola Básica n.º 1 de Monchique

2.º CICLO
Anita Martins Pereira - 6.º ano, turma A, Escola Básica Manuel do Nascimento, Monchique

3.º CICLO
Margarida Lima António, 7.º ano, turma A, Escola Básica Manuel do Nascimento, Monchique

Pode obter mais informação sobre esta iniciativa aqui.


segunda-feira, 29 de abril de 2024

PROBLEMATIK 34 - PEÇAS DE PUZZLE

Estás pronto(a) para mais um «Problematik»?

Então, observa, com muita atenção, as imagens que se seguem, concentra-te, pensa um bocadinho… e vamos lá!


Descobriste? Achas que a tua resposta está correta? Queres confirmar?

Preenche, então, o formulário que te disponibilizamos. Clica aqui.


sexta-feira, 26 de abril de 2024

POEMAS DE ABRIL «PANORAMA»

 PANORAMA

Pátria vista da fraga onde nasci.
Que infinito silêncio circular!
De cada ponto cardeal assoma
A mesma expressão muda.
É de agora ou de sempre esta paisagem
Sem palavras
Sem gritos,
Sem o eco sequer de uma praga incontida?
Ah! Portugal calado!
Ah! povo amordaçado
Por não sei que mordaça consentida!
 

Miguel Torga 

Mário Soares, Os poemas da minha vida, 2.ª ed., Lisboa, Público – Comunicação, SA, 2005, p. 125.

quinta-feira, 25 de abril de 2024

ESCOLAS ASSINALAM O 50.º ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL

O quinquagésimo aniversário do 25 de Abril está a ser assinalado em todas as escolas do Agrupamento de Escolas de Monchique com um conjunto de atividades diversificadas que visam relembrar os valores conquistados com a Revolução dos Cravos, uma revolução ímpar, que nos garantiu a LIBERDADE e a DEMOCRACIA.

Do teatro às artes plásticas, à leitura e à escrita, são várias as iniciativas que afirmam ABRIL como garantia de uma sociedade mais livre, mais justa e mais fraterna.




Painel e cravos construídos pelos alunos da Escola EB1 N.º1
As mãos e os cravos dos meninos do 2.º ano da Escola EB1 N.º 1

Muitos dos nossos alunos, mesmo os mais pequeninos, são sensíveis a esta data, uma das mais importantes e bonitas da nossa História, e já evidenciam a consciência da importância da Liberdade, como comprovam os poemas que se seguem.


48 ANOS DE DITADURA

A ditadura fez parte de Portugal,

era um tempo abismal
e como esse não houve igual.
Mas que tempo infernal!
 
Com o Salazar a comandar,
e sem as pessoas respeitar, 
ninguém podia conversar
e muito menos estudar.
 
O povo português lutou
e muitas coisas conquistou.
A liberdade nos mudou
e a ditadura passou.

 Margarida Horta Estremores, 4.º ano, turma D1 (Escola EB1 n.º 1)

 
A LIBERDADE 

Portugal era um país

com muita gente infeliz.
Vivia-se uma ditadura
muito dura para a altura.
 
Até que 25 de abril acordou,
Salgueiro Maia comandou, 
as suas tropas avisou
e a liberdade chegou.

 Noemi Correia e Gabriela Marques, 4.º ano, Turma D1 (Escola EB1 n.º 1). 


POEMAS DE ABRIL «25 DE ABRIL»

 

25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

 
Sophia de Mello Breyner Andresen, Cem Poemas de Sophia, Herdeiros de Sophia de Mello Breyner Andresen e Editorial Caminho, 2004, p. 93.


quarta-feira, 24 de abril de 2024

25 DE ABRIL - A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS


"Grândola, Vila Morena” soou na Rádio Renascença logo após a meia-noite do dia 25 de abril de 1974. A canção de José Afonso foi o sinal esperado pelas tropas para colocar em marcha o plano de derrubar a ditadura fascista. 
As tropas saíram à rua na cidade de Lisboa, mas o povo também. Apesar de alguma resistência, rapidamente as tropas tomaram o poder e, no dia seguinte, os prisioneiros políticos foram libertados.
Pela rádio, foi anunciado ao povo que o Movimento das Forças Armadas visava devolver a liberdade à nação e estabelecer a democracia, a descolonização e o desenvolvimento do país.
Nas ruas ouvia-se o povo gritar “O Povo Unido Jamais Será Vencido”; foi a festa da Liberdade.
Portugal foi notícia em todo o mundo por ter vivido uma revolução sem violência e em que mulheres celebraram a liberdade, emocionadas, colocando cravos vermelhos no cano das espingardas dos militares. Esta flor tornou-se, assim, o símbolo deste acontecimento, que ficou conhecido como a Revolução dos Cravos.
Os exilados políticos, os militares e os jovens que haviam saído do país para fugir à Guerra Colonial regressam a um Portugal livre da censura. Na rádio soavam músicas antes proibidas, os jornais saíam sem cortes nas notícias, os partidos políticos de oposição ao regime deixaram de ser clandestinos e as pessoas passaram a poder decidir o seu destino.
Seguiu-se a construção da Democracia ao longo destes 50 anos, com alguns erros, mas, sobretudo, com muitos acertos. O medo, as perseguições, a violência, a guerra colonial e a intolerância a modos de pensar diferentes deram lugar à Liberdade e à Esperança na construção de um mundo, não perfeito, mas, sem dúvida, muito melhor.
A liberdade e a democracia em que vivemos só foram possíveis com o sacrifício de muitos que nos antecederam e é um tesouro que nos cabe, a todos, honrar, preservar e trabalhar, tendo em vista a construção de uma sociedade cada vez mais justa, fraterna e feliz.       


Texto produzido pelas professoras Conceição Windle e Fernanda Gomes (Biblioteca Escolar / Agrupamento de Escolas de Monchique).


POEMAS DE ABRIL«MINHA PENA MINHA ESPADA»


MINHA PENA MINHA ESPADA 

Dois países num país

Canto o escravo ou o senhor?
Canto a dor que se não diz
canto a dor.
 
Minha pena a quem prenderam
guitarras com que cantavas
solta as aves que cresceram
nas palavras.
 
Rasga os silêncios e canta
vestida de terra e lua
solta o vento na garganta
desce à rua.
 
Minha pena baioneta
meu navio minha enxada
minha pena de poeta
minha espada.
 
Esta rua é teu país.
E a quem se senta no trono
vai e diz:
os homens não têm dono.
 
Manuel Alegre, País de Abril – Uma Antologia, Alfragide, Publicações Dom Quixote, 2014, pp. 43-44.  


terça-feira, 23 de abril de 2024

DESCOBRIR WASSILY KANDINSKY A PARTIR DA MATEMÁTICA

Os alunos da turma B1 (2.º ano da Escola EB1 n.º 1), orientados pela sua professora, Ana Marques, descobriram Wassily Kandinsky e a sua obra, ao estudar os polígonos e os não políginos na disciplina de Matemática. E este pintor russo, que é considerado o pai do abstracionismo, deu origem ao desenvolvimento de um DAC (Domínio de Articulação Curricular), que envolveu todas as áreas curriculares, do Português à Educação Artística. Prova disso é o magnífico painel construído por todos os meninos da turma, que pode ser apreciado na escadaria que dá acesso à sua sala de aulas, e um interessante texto coletivo que nos revela a génese da arte abstrata.

 

Numa bela tarde de sol, no ano 1900, estava o pintor Wassily Kandinsky a pintar um quadro de uma paisagem de França. Ele adorava pintar paisagens e França era o lugar perfeito. Parecia uma tarde calma e quente, quando, subitamente, uma ventania surgiu e levou o quadro pelos ares.

A pintura, que ainda não estava seca, ficou estragada. O pintor não queria acreditar no que os seus olhos viam…

Sentou-se, desesperado, e ficou a olhar para o seu quadro, que já nem se percebia bem que era uma paisagem. Mas ele reparou que tudo se transformou em formas geométricas.

Assim, resolveu arranjar a sua pintura, continuando a representar tudo com formas geométricas. Algumas eram polígonos e outras, não polígonos. Criou uma autêntica obra de arte, cheia de cor.

Gostou tanto desse quadro que pintou muitos outros de mesma forma.

Criou a arte abstrata, que veio a influenciar outros grandes pintores.  


Autores: alunos da turma B1 (2.º ano da Escola EB1 N.º 1 de Monchique).

POEMAS DE ABRIL: «NÃO É FIM DE SEMANA»


Não é fim de semana,
Não são férias
Nem é feriado.
É dia de trabalho
E mesmo assim é dia livre.
Por isso, vive, vive, vive!
Procura-te na curiosidade,
Saboreia o novo
Travo a travo.
Faz com que a liberdade
Te mereça
Sem apelo nem agravo.
Pede o céu, as estrelas e a lua
Tira o grito da cabeça
Devaneia pela rua
Armado em cravo.
 
E se alguém te apontar
E disser que é loucura,
Responde que loucura
É obedecer sem questionar
Uma ditadura.

Eduardo Jorge Duarte

 Retirado de: https://www.facebook.com/eduardo.duarte.739978, com a devida autorização do autor.


segunda-feira, 22 de abril de 2024

POEMAS DE ABRIL: «25 DE ABRIL»

Na semana em que se celebram os 50 anos da Liberdade e da Democracia, ABRIL já está nas nossas bibliotecas: nas exposições de livros, nas apresentações teatrais, na decoração, nas ilustrações, nos trabalhos manuais … e, claro, nos nossos CORAÇÕES.

E porque não podemos esquecer ABRIL, ao longo desta semana, publicaremos, diariamente, no nosso blogue, um poema que nos fala de ABRIL, do 25 de Abril.

25 de Abril

Era um dia puro e limpo

aquele dia de abril,
em que as ovelhas do medo
fugiram para o seu redil.
 
Um dia que amanheceu
com os capitães da guerra
a lutarem pela paz,
com gente da nossa terra.
 
Dia de cravos vermelhos
nos canos das espingardas,
dos gritos de liberdade
nas bocas amordaçadas.
 
Não pode morrer abril,
que nós não vamos deixar.
Hão de florir sempre cravos,
basta alguém os semear.                  

 Luísa Ducla Soares, A Cavalo no Tempo, Porto, Porto Editora, 2015, pp. 10-12. 


sexta-feira, 19 de abril de 2024

DA POESIA AO VALOR DO 𝝅

Há, certamente, muitas e variadas formas de estudar matemática, mas associar a poesia à abordagem de um conteúdo tão importante quanto o valor do 𝝅 pode parecer arriscado.

Créditos da imagem: Georgina Gervásio

E se a poesia for «A história infinita do 𝝅», de Manuel António Pina?

 A história infinita do 𝝅 


Julgando o fim a chegar,
o 𝝅 deu de começar
a preocupar-se consigo.
E um dia fez a bagagem
e partiu numa viagem
ao fundo do seu umbigo.

Mas o umbigo era mais fundo
do que o umbigo do mundo
e o 𝝅 regressou mais
baralhado que à partida,
de cabeça confundida
com cálculos decimais…

Hoje o 𝝅, já muito velho,
senta os netos nos joelhos
e fala-lhes de Alexandria,
da China, de Chung Zhi,
de Al-Kashi, de Al-Kwarismi,
da Casa da Sabedoria.

E dos milhares de milhão
de casas onde viveu
na sua aventurosa existência,
desde o dia em que nasceu
da estranha relação
dum diâmetro e uma circunferência.

 MANUEL ANTÓNIO PINA, Pequeno Livro de Desmatemática. Assírio e Alvim, 2002, pp. 26-27.

E se, antes disso, os alunos já tiverem conhecimento do texto «O 𝝅», do mesmo autor?

Digamos que está aberto o caminho para uma atividade prática que permite comprovar o valor do 𝝅.

E foi precisamente isso que aconteceu na passada semana, na nossa biblioteca escolar, com os alunos do 6.º ano a descobrirem como chegar ao valor do 𝝅.

Bastou, apenas, seguir as seguintes etapas: 

    👉 Medir, com rigor, o perímetro da circunferência:
    👉 Medir, com rigor, o diâmetro dessa circunferência;
    👉 Dividir o valor do perímetro pelo valor do diâmetro.






E, pronto, estava encontrado o valor do 𝝅3,1416….

Obviamente, nem todos os resultados encontrados pelos alunos foram exatos, pois não dispúnhamos de instrumentos de medida rigorosos e precisos, mas todos os valores se aproximaram muito do valor do 𝝅.