sexta-feira, 17 de março de 2023

UM POEMA POR DIA - MARÇO DE 2023 - «O LIMPA PALAVRAS»

 POEMA 17/03/2023

O LIMPA-PALAVRAS

Limpo palavras.
Recolho-as à noite, por todo o lado:
a palavra bosque, a palavra casa, a palavra flor.
Trato delas durante o dia
enquanto sonho acordado.
A palavra solidão faz-me companhia.

 

Quase todas as palavras
precisam de ser limpas e acariciadas:
a palavra céu, a palavra nuvem, a palavra mar.
Algumas têm mesmo de ser lavadas,
é preciso raspar-lhes a sujidade dos dias
e do mau uso.
Muitas chegam doentes,
outras simplesmente gastas, estafadas,
dobradas pelo peso das coisas
que trazem às costas.

 

A palavra pedra pesa como uma pedra.
A palavra rosa espalha o perfume no ar.
A palavra árvore tem folhas, ramos altos.
Podes descansar à sombra dela.
A palavra gato espeta as unhas no tapete.
A palavra pássaro abre as asas para voar.
A palavra coração não para de bater.
Ouve-se a palavra canção.
A palavra vento levanta os papeis no ar
e é preciso fechá-la na arrecadação.

 

No fim de tudo voltam os olhos para a luz
e vão para longe,
leves palavras voadoras
sem nada que as prenda à terra,
outra vez nascidas pela minha mão:
a palavra estrela, a palavra ilha, a palavra pão.

 

A palavra obrigado agradece-me.
As outras não.
A palavra adeus despede-se.
As outras já lá vão, belas palavras lisas
e lavadas como seixos do rio:
a palavra ciúme, a palavra raiva, a palavra frio.

 

Vão à procura de quem as queira dizer,
de mais palavras e de novos sentidos.
Basta estenderes a mão para apanhares
a palavra barco ou a palavra amor.

 

Limpo palavras.
A palavra búzio, a palavra lua, a palavra palavra.
Recolho-as à noite, trato delas durante o dia.
A palavra fogão cozinha o meu jantar.
A palavra brisa refresca-me.
A palavra solidão faz-me companhia.


Álvaro Magalhães, O limpa-palavras e outros poemas (10.ª ed.), Asa, 2013, pp. 3-5.


Fotografia: Prof. Vânia Magalhães


Poema sugerido e lido coletivamente pelos alunos do 5.º A.


quinta-feira, 16 de março de 2023

ESCRIT@TOP.COM - TEXTO DE OPINIÃO: «BULLYING NAS ESCOLAS»

 

BULLYING NAS ESCOLAS 

Do meu ponto de vista, o «bullying» é algo que não tem total sentido. O que ganham as pessoas que o praticam? Não ganham nada. Eu acho que quem o faz só quer aumentar o ego, aumentar a sua autoestima.
Os que praticam esta ação podem ter as suas razões, o agressor pode estar magoado, com problemas; pode querer diminuir os outros, porque acha divertido; por ser homofóbico; ou para ter a fama de ser rebelde, para que todos os temam. Mas nenhuma razão, qual seja, é desculpa para o fazer, pois ao praticar «bullying» estamos a magoar as pessoas e isso não é «fixe».
É quase impossível evitar totalmente o «bullying», pois não serve de nada dar um «sermãozinho» e deixar o assunto passar. Isso não vai dar em nada, só vai fazer com que o agressor faça mais ameaças para que quem sofre não conte a ninguém.
Mas há outras formas de prevenir ou «curar» o «bullying», como por exemplo: os professores e os pais (adultos) devem falar sobre esse assunto, explicando o que é o «bullying», o que podemos fazer para o evitar, porque é que há pessoas que sofrem e outras variadas coisas que é importante saber a esse respeito.
Quem sofre, por outro lado, não deve ter medo do agressor, pois isso vai aumentar o ego deste; não deve cair nas suas ameaças, deve antes falar com alguém.
Estas são algumas formas de prevenir e refletir sobre o «bullying», para perceber apenas que é uma atitude péssima, que não dignifica em nada o ser humano, seja criança seja adulto.    

Lara Gonçalves, 7.º C, n.º 8.

Imagem retirada de: https://www.hogrefe.com/pt/artigo/o-bullying-em-contexto-escolar

UM POEMA POR DIA - MARÇO DE 2023 - «VAIDADE»

 POEMA 16/03/2023

VAIDADE 

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

 

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

 

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

 

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada!...

Florbela Espanca (1894 – 1930).

Retirado de:   https://www.culturagenial.com/melhores-poemas-florbela-espanca/


Quadro associado ao poema:

«Narciso» (c. 1599), Caravaggio (1571 - 1610)

Imagem retirada de:  https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/narciso-caravaggio/

Poema e quadro sugeridos por: Lia Marques, 7.º B, n.º 9.


quarta-feira, 15 de março de 2023

UM POEMA POR DIA - MARÇO DE 2023 - «A MINHA DOR»

 POEMA 15/03/2023

A MINHA DOR

A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.

Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal ...
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias ...

A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!

Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém...

Florbela Espanca (1894 – 1930).

Retirado de: https://www.citador.pt/poemas/a-minha-dor-florbela-de-alma-conceicao-espanca

Quadro associado ao poema:

«O Grito» (1893), Edvard Munch (1863-1944)

Imagem retirada de: http://www.sabercultural.com/template/obrasCelebres/O-Grito-Edvard-Munch.html

Poema e quadro sugeridos por: Lara Gonçalves, 7.º C, n.º 8.

terça-feira, 14 de março de 2023

UM POEMA POR DIA - MARÇO DE 2023 - «UM CEGO E A GUITARRA»

 POEMA 14/03/2023

UM CEGO E A GUITARRA

Cheguei à janela,
Porque ouvi cantar.
É um cego e a guitarra
Que estão a chorar.
 
Ambos fazem pena,
São uma coisa só
Que anda pelo mundo
A fazer ter dó.
 
Eu também sou um cego
Cantando na estrada,
A estrada é maior
E não peço nada.
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa, Poesia de Fernando Pessoa para Todos, Porto Editora, 2019, p.30.

Quadro associado ao poema:

«O Velho Guitarrista Cego», 1903, Pablo Picasso

Poema e quadro sugeridos por: Duarte Morais, 8.º A.

SELO CURIOSO 31 - HISTÓRIA (MARQUÊS DE POMBAL)

O selo que aqui se apresenta mereceu, pela segunda vez, a atenção dos nossos alunos, que sobre ele fizeram o trabalho de pesquisa que a seguir se transcreve.

Sebastião José de Carvalho e Mello, mais conhecido como Marquês de Pombal ou Conde de Oeiras, foi um nobre diplomata e secretário do reino, durante o reinado de D. José I.

Nasceu no dia 13 de maio de 1699, em Lisboa, e era filho de Manuel de Carvalho e Ataíde e de Teresa Luísa de Mendonça e Melo. Ambos eram membros da nobreza, de uma longa linhagem de desembargadores.

Casou com D. Teresa de Noronha Bourgon e Mello, em 1723. Em 1738, a sua esposa, muito doente, acabou por falecer em Pombal.

Na sua juventude, estudou Direito em Coimbra, mas não concluiu os estudos. Depois disso, ingressou na carreira militar, onde também não se adaptou e acabou por desistir.

Em 1733, ingressou na Academia Real de História, por influência do seu tio, onde estudou História e Legislação Portuguesa.

No dia 31 de julho de 1750, morreu o rei D. João V e o seu filho, o rei D. José I, assumiu o trono de Portugal. No dia 2 de agosto, o Marquês de Pombal foi nomeado secretário de estado dos negócios estrangeiros.

O Marquês de Pombal foi embaixador de Portugal em Inglaterra e viveu em Londres, onde defendia os interesses dos comerciantes portugueses.

Depois da sua estadia em Inglaterra, foi para Viena e, em 1754, casou-se com D. Leonor Ernestina de Daun e retornou a Portugal. Foi, então, nomeado secretário de estado dos negócios estrangeiros e da guerra.

No dia 1 de novembro de 1755, dá-se o terramoto de Lisboa. Uma vez que a Família Real foi viver, durante alguns anos, para a Real Barraca, o Marquês de Pombal ficou a ministrar o reino, tendo a responsabilidade de reconstruir a cidade de Lisboa.

O Marquês de Pombal fez várias reformas no país, ao nível da economia, do ensino e da sociedade. Ao nível da economia, apoiou as indústrias já existentes e a criação de outras, e também criou companhias de comércio; no ensino, reformou a Universidade de Coimbra e extinguiu a de Évora, que era controlada pelos jesuítas; e a nível social, por exemplo, proibiu a escravatura em Portugal.

Em 1756, foi nomeado para a secretaria do reino que lhe deu o poder de todo o país. Em 1759 foi nomeado Conde de Oeiras.

Morreu a 8 de maio de 1782, na cidade de Pombal, com 82 anos.

A sua administração ficou marcada por dois grandes acontecimentos: o terramoto de 1755 e, pouco depois, o processo dos Távora. Este último consistiu numa tentativa de assassinato do rei D. José I, em 1758, cujos suspeitos, os Távora, foram torturados e queimados numa execução pública, em Belém.    

Fonte consultada:

Frazão, D. (2020). Marquês de Pombal - Político e estadista português. Retirado dehttps://www.ebiografia.com/marques_de_pombal/

Trabalho realizado por: 

Maria João Gonçalves, 6.º B, n.º 17;
Matilde Messia, 6.º B, n.º 19.

segunda-feira, 13 de março de 2023

LER+ BD - SUGESTÃO DE LEITURA: «À PROCURA DE ANNE FRANK»

 

O Diário de Anne Frank foi escrito pela sua autora entre 12 de junho de 1942 e 1 de agosto de 1944. Anne Frank, uma menina que foi levada para um campo de concentração nazi, não regressou com vida, mas o seu pai teve a iniciativa de publicar o diário dela em 1947, revelando como era o dia a dia desta adolescente forçada a esconder-se durante a ocupação nazi da cidade de Amesterdão. 

A publicação do diário foi um sucesso e é considerado até aos dias de hoje um dos livros mais lidos do mundo.  

Em 2015 foi publicado O Diário de Anne Frank, em banda desenhada, realizado por Ari Folman (texto) e David Polonsky (ilustração). Após o sucesso desta obra, eis que surge À Procura de Anne Frank, também em formato de novela gráfica, do mesmo autor, Ari Folman, mas com ilustrações de Lena Guberman.

 Sinopse 

"No seu famoso diário, Anne Frank criou uma amiga imaginária, Kitty. Agora, o realizador e autor, Ari Folman, juntamente com a artista Lena Guberman, dão-lhe vida.

Quando uma estranha tempestade se abate sobre Amesterdão e quebra o vidro que protege o diário guardado na Casa de Anne Frank, Kitty irrompe daquelas páginas e vai viver uma verdadeira aventura em busca da sua amiga.

Acompanhada pelas memórias dos dias passados no anexo secreto, Kitty percorre as ruas da capital holandesa de hoje e com a ajuda de amigos inesperados irá descobrir o que foi o Holocausto, o que isso significou para Anne e o que, por sua vez, o seu diário continua a representar para as crianças de todo o mundo".

Retirado de: https://www.fnac.pt/A-Procura-de-Anne-Frank-Ari-Folman/a9846607

Podes encontrar este livro na biblioteca da tua escola.

À Procura de Anne Frank foi lançado simultaneamente em livro e em filme de animação.

UM POEMA POR DIA - MARÇO DE 2023 - «TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO»

 POEMA 13/03/2023

TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO 

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas. 


Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas. 


As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.


Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.


Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.


A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.


(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente

Ridículas).

Álvaro de Campos (1890 – 1935).

Fernando Pessoa, Poesias Heterónimos, Porto Editora, 2014, pp. 205-206.

Quadro associado ao poema:

Poema e quadro sugerido por: Joana Dimas, 7.º A, n.º 5.

PROBLEMATIK 24 - PERAS E MAÇÃS

 PERAS E MAÇÃS

No pomar da avó Rita, existem árvores de fruto mágicas que dão, em simultâneo, peras e maçãs. 

Cada árvore tem ou 6 peras e 3 maçãs ou 8 peras e 4 maçãs.

Sabendo que há 25 maçãs no pomar, quantas peras haverá?

Aqui está um desafio bem fácil! Pensa só um bocadinho e descobrirás logo a resposta certa.

Queres confirmar se acertaste? Preenche o formulário que disponibilizamos AQUI. 

domingo, 12 de março de 2023

UM POEMA POR DIA - MARÇO DE 2023 - «A UMA CEREJEIRA EM FLOR»

 POEMA 12/03/2023

A UMA CEREJEIRA EM FLOR

Acordar, ser na manhã de abril
a brancura desta cerejeira;
arder das folhas à raiz,
dar versos ou florir desta maneira.

Abrir os braços, acolher nos ramos
o vento, a luz, ou o quer que seja;
sentir o tempo, fibra a fibra,
a tecer o coração duma cereja.

Eugénio de Andrade (1923 – 2005)

Retirado de:   https://en.wikipedia.org/wiki/Early_works_of_Georgia_O%27Keeffe

Quadro associado ao poema:

«Untitled» (1903 - 1905), Georgia O’Keeffe (1887 – 1986).

Imagem retirada de: https://en.wikipedia.org/wiki/Early_works_of_Georgia_O%27Keeffe

Poema e quadro sugeridos por: Luana Correia, 7.º C, n.º 10.

sábado, 11 de março de 2023

UM POEMA POR DIA - MARÇO DE 2023 - «O AMOR, QUANDO SE REVELA»

 POEMA 11/03/2023

O AMOR, QUANDO SE REVELA


O amor, quando se revela,

Não se sabe revelar.

Sabe bem olhar p'ra ela,

Mas não lhe sabe falar.

 

Quem quer dizer o que sente

Não sabe o que há de dizer.

Fala: parece que mente...

Cala: parece esquecer...

 

Ah, mas se ela adivinhasse,

Se pudesse ouvir o olhar,

E se um olhar lhe bastasse

P'ra saber que a estão a amar!

 

Mas quem sente muito, cala;

Quem quer dizer quanto sente

Fica sem alma nem fala,

Fica só, inteiramente!

 

Mas se isto puder contar-lhe

O que não lhe ouso contar,

Já não terei que falar-lhe

Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa (1888 – 1935).

Retirado dehttp://arquivopessoa.net/textos/1318


Quadro associado ao poema:

«O Touro Indomável» (1908), Pablo Picasso (1881 – 1973)

Imagem retirada de: https://veja.abril.com.br/cultura/picasso-o-touro-indomavel/  

Poema e quadro sugeridos por: Dinis Martins, 7.º A, n.º 1.                                                           

sexta-feira, 10 de março de 2023

À CONVERSA COM LUÍSA DUCLA SOARES

 

Fotografias: Ana Gonçalves

O dia 9 de março era aguardado com muita expectativa. Esperava-se um encontro memorável com a escritora Luísa Ducla Soares, com o músico Daniel Completo e com o ilustrador Nuno Completo.

Luísa Ducla Soares é, aliás, uma das escritoras mais acarinhadas pelos nossos meninos, que conhecem muitas das suas obras.

Ver a escritora ao vivo… aquela pessoa que só conhecem na forma de letras e de textos… parecia magia!

Infelizmente, motivos de saúde impediram que a escritora estivesse presente fisicamente, mas esteve connosco, graças às maravilhas da internet, e respondeu, com amabilidade, delicadeza, paciência e muita doçura, a TODAS as questões que os nossos meninos lhe colocaram.

Aqui ficam algumas dessas questões.

Aluno 1 – Há algo que ainda não fez e que gostasse de concretizar?

Luísa Ducla Soares – Gostava de escrever mais teatro.

Aluno 2 – Qual foi o livro que mais gostou de escrever?

Luísa Ducla Soares – Foi um livro que escrevi quando tinha dez anos.

Aluno 3 – O que a levou a ser escritora?

Luísa Ducla Soares – Em primeiro lugar, foi o facto de ser leitora. Lia muito. Um dia, escrevi um texto de que a professora gostou e ela publicou-o no jornal da escola.

Aluno 4 – Na nossa idade, tinha um gosto especial pela escrita?

Luísa Ducla Soares – Sim, gostava de escrever histórias e, sobretudo, poesia, porque me encanta o som das palavras.

Aluno 5 – No que se inspira para escrever os seus poemas?

Luísa Ducla Soares – Muitos dos meus poemas são baseados na natureza, em animais (já tive setenta e dois), nos sentimentos humanos e nas coisas que vejo no dia a dia.

Aluno 6 – Quando não se sente bem, expressa os seus sentimentos nos poemas?

Luísa Ducla Soares – Quando não me sinto bem, escrevo. O que escrevo exprime o estado de espírito em que estou. Quanto mais triste estou, mais tento escrever sobre coisas engraçadas.

Aluno 7 – Gosta mais de texto poético ou de texto narrativo?

Luísa Ducla Soares – Gosto dos dois, mas talvez goste mais de poesia. Também gosto de teatro.

Aluno 8 – Em que ano se tornou escritora?

Luísa Ducla Soares – Em 1949. Tinha dez anos.

Aluno 9 – Qual foi o livro que lhe deu mais trabalho a escrever?

Luísa Ducla Soares – Foram livros sobre História. Foi uma coleção sobre a História de Portugal, desde a pré-história até à União Europeia. Tive de estudar muito e fazer investigação sobre toda a História de Portugal.
E também os livros de lengalengas. Fiz recolhas ao longo de muitos anos, em todo o país, incluindo no Algarve.

Aluno 10 – Qual foi o primeiro livro que escreveu?

Luísa Ducla Soares – Foi um quando eu tinha dez anos. Chamava-se «Os Meus Versos», mas não era muito bom.

Aluno 11 – Quantas obras já escreveu?

Luísa Ducla Soares – Não sei quantas escrevi, mas já publiquei 185 livros. E ainda há alguns que escrevi que pretendo publicar.

Aluno 12 – Há quantos anos escreve histórias para crianças?

Luísa Ducla Soares – Comecei a escrever com treze anos. Inventava histórias para contar ao meu irmão mais novo. Aí, criei muita prática, porque todos os dias tinha de inventar uma história nova.

Aluno 13 – Onde costuma escrever os livros?

Luísa Ducla Soares – Escrevo em qualquer parte: no jardim, na mesa, na praia… e até em cima de uma gata, da minha gata, que gosta de se sentar no meu colo.

Aluno 14 – Gosta de escrever livros para crianças? E onde se inspira?

Luísa Ducla Soares – Inspiro-me em tudo: na natureza, nos animais, em conversa que ouço no autocarro, nas conversas com amigos, nos meus netos e nas suas marotices e também nas perguntas que os meninos das escolas me fazem.

Obrigada, Luísa Ducla Soares, por ter estado connosco. Obrigada também ao músico Daniel Completo e ao ilustrador Nuno Completo pela vossa arte e pela boa disposição com que nos receberam.

Um agradecimento especial à Biblioteca Municipal por nos ter proporcionado este encontro.  

Finalmente, uma palavra de apreço para todos os professores que tão bem orientaram os alunos na formulação das questões que colocaram à escritora.

UM POEMA POR DIA - MARÇO DE 2023 - «UM POUCO MAIS»

 POEMA 10/03/2023

UM POUCO MAIS
 
Esta manhã não lavei os olhos -
pensei em ti.

Se o teu ouvido se fechou à minha boca
poderei escrever ainda poemas de amor?
A arte de amar não me serve para nada.

Um fogo em luz transformado.
Subitamente, a sombra.

Há dias em que morro de amor.
Nos outros, de tão desamado,
morro um pouco mais.
Casimiro de Brito (1938 – )



Quadro associado ao poema:

«Couple sous L’Arbre ou Les Amoureux» (c. 1962-1963), Marc Chagall (1887 – 1985).

 
Poema e quadro sugeridos por: Darlene Vicente, 7.º A, n.º 4.

quinta-feira, 9 de março de 2023

UM POEMA POR DIA - MARÇO DE 2023 - «ENTRE AS DUAS E AS TRÊS»

 POEMA 09/03/2023

ENTRE AS DUAS E AS TRÊS 

 Queria falar do que não tem concerto:

 as letras desenhadas e compostas

 com que confundo o espaço do papel,

 a angústia compassada no contar

 e a súbita alegria de ser eu

 penosamente, às duas da manhã

 

 Queria escrever do que não tem lugar:

 a branca, doce e sonolenta estrada

 onde espaçadas as palavras crescem,

 suavizadas pelo lento sono

 que devagar percorre as coisas todas

 penosamente, às duas da manhã 

 

 Queria dizer do que não tem conserto:

 ou seja, eu; ou seja, o papel branco

 sombrio agora por já ser demais,

 as letras excedentes e sonoras

 desmembrando o silêncio e a noite toda

 penosamente, às duas da manhã

 

 Só então falarei do que ficou:

 compassada alegria desenhada

 na angústia de dizer sem me contar,

 o papel confundido de impotente

 e todavia prontas as palavras.
                   Quase às três da manhã. Penosamente.

Ana Luísa Amaral (1956 – 2022)

 Retirado de:  https://www.portaldaliteratura.com/poemas.php?id=1621

Quadro associado ao poema:

«Relógio mole no momento da primeira explosão» (1954), Salvador Dali (1904 – 1989).

Imagem retirada de: https://veja.abril.com.br/coluna/sobre-palavras/tempo-tempo/

Poema e quadro sugeridos por: Dalila Rio, 7.º C, n.º 3.


quarta-feira, 8 de março de 2023

ALUNOS DE MONCHIQUE ELEGERAM OS SEUS LIVROS PREFERIDOS

Ontem, os MIÚDOS foram a VOTOS e decidiram quais são os LIVROS MAIS FIXES.

Queres saber quais são os livros preferidos dos alunos de Monchique?

Aqui ficam, então, os resultados das eleições.

ESCOLA EB1 N.º 1 DE MONCHIQUE (S. PEDRO)

Eleitores - 69

Votantes - 66
Votos válidos - 66
Votos brancos - 0
Votos nulos - 0


ESCOLA EB1 N.º 2 DE MONCHIQUE (S. ROQUE)

Eleitores - 67

Votantes - 62
Votos válidos - 62
Votos brancos - 0
Votos nulos - 0


ESCOLA EB1 DE MARMELETE

Eleitores - 16

Votantes - 14
Votos válidos - 14
Votos brancos - 0
Votos nulos - 0


ESCOLA BÁSICA MANUEL DO NASCIMENTO
2.º CICLO

Eleitores - 63

Votantes - 63
Votos válidos - 63
Votos brancos - 0
Votos nulos - 0

3.º CICLO

Eleitores - 121

Votantes - 118
Votos válidos - 113
Votos brancos - 1
Votos nulos - 4

UM POEMA POR DIA - MARÇO DE 2023 - «BIOGRAFIA»

 POEMA 08/03/2023

BIOGRAFIA

Sonho, mas não parece.
Nem quero que pareça.
É por dentro que eu gosto que aconteça
A minha vida.
Íntima, funda, como um sentimento
De que se tem pudor.
Vulcão de exterior
Tão apagado,
Que um pastor
Possa sobre ele apascentar o gado.

Mas os versos, depois,
Frutos do sonho e dessa mesma vida,
É quase à queima-roupa que os atiro
Contra a serenidade de quem passa.
Então, já não sou eu que testemunho
A graça
Da poesia:
É ela, prisioneira,
Que vendo a porta da prisão aberta,
Como chispa que salta da fogueira,
Numa agressiva fúria se liberta.

Miguel Torga, Antologia Poética, Publicações Dom Quixote, 2019, p. 205.

Quadro associado ao poema:

«O Sonho Aproxima-se», Salvador Dalí (1931)

Imagem retirada de: https://observador.pt/2015/11/26/pinta-um-sonho-os-grandes-pintores-souberam-faze-lo/

Na minha perspetiva, o quadro «O Sonho Aproxima-se» tem aspetos que me lembram este poema. Como diz no poema, «é por dentro que eu gosto que aconteça», ou seja, na nossa cabeça, nos nossos sonhos, que é uma experiência que possui um significado. Eu relaciono este quadro com este poema porque o quadro transmite-me uma mensagem sobre o sonho e uma possível imagem que pode ocorrer ao adormecer. Como o poema fala, «é ela prisioneira», a torre que podes observar no quadro lembra-me esta citação.
Maria Nunes
Poema e quadro sugeridos por: Maria Nunes, 9.º B.